Atenção Plena: o que dizem os estudos

À medida que as pessoas vão aprendo novas formas de regular as suas emoções, a sua vida emocional é melhorada (Koole, 2009). A autorregulação tem um impacto positivo no que diz respeito a aspetos psicológicos, físicos, bem como ao nível interpessoal e da motivação (Brown et al., 2007).

Em 2013 foi realizada uma meta-análise com o intuito de fornecer uma revisão fundamentada na atenção plena. Na sua totalidade, nesta revisão foram incluídos 209 estudos, com a participação de 12.145 participantes com diversas idades, gêneros e perfis clínicos distintos (Khoury et al., 2013).

Através dos resultados obtidos constata-se que o Mindfulness-based therapy (MBT) é moderadamente eficaz, sendo que esta prática não difere das típicas TCC (terapia cognitiva-comportamental) ou terapias comportamentais ou até de tratamentos farmacológicos. Na conclusão desta meta-análise a ilação retirada é que o MBT é um tratamento eficaz para determinados problemas psicológicos, nomeadamente para a redução da ansiedade, depressão assim como stress. A consciencialização tanto por parte dos participantes como dos terapeutas é um fator preditor para que o MBT seja efetivo (Khoury et al., 2013).

Evidências empíricas revelam que a aplicação da atenção plena permite a diminuição de distúrbios emocionais (como depressão, ansiedade e stress), assim como níveis mais elevados de bem-estar (menor efeito negativo, maior efeito positivo e satisfação com a vida) (Brown et al., 2007). Para além destes aspetos, a atenção plena promove uma maior conexão e proximidade nos distintos relacionamentos, visto que o sujeito que apresenta esta capacidade pode estar mais consciente das suas próprias respostas tanto a nível cognitivo, como emocional e verbal, designadas por Goleman (2011) como autoconsciência.

Através do desenvolvimento de capacidades da atenção plena, esta vai proporcionar ao sujeito uma maior flexibilidade, que se baseia em respostas adequadas aos diversos eventos, do mesmo modo que auxilia na minimização de
 reações automáticas, habituais ou impulsivas (Bishop,
2002).

É fundamental destacar que a meditação (Cahn & Polich, 2006), assim como o treino da atenção plena (Brown et al., 2007), estão incessantemente relacionadas com as estratégias atencionais para regular as emoções, onde habitualmente abrangem exercícios de respiração e relaxamento. Conforme a promoção da regulação emocional orientada para a pessoa, a atividade corporal que facilita todo este processo é o controlo voluntário da respiração (Koole, 2009).

Referências:
Bishop, S. R. (2002). What Do We Really Know About Mindfulness-Based Stress Reduction? Psychosomatic Medicine, 64(1), 71-83.
Brown, K. W., Ryan, R. M., & Creswell, J. D. (2007). Mindfulness: Theoretical foundations and evidence for its salutary effects. Psychological Inquiry, 18(4), 211-237.
Cahn, B. R., & Polich, J. (2006). Meditation states and traits: EEG, ERP, and neuroimaging studies. Psychological Bulletin, 132, 180-211.
Goleman, D. (2011). Inteligência Emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. Rio de Janeiro: Objectiva.
Khoury, B., Lecomte, T., Fortin, G., Masse, M., Therien, P., Bouchard, V., Chapleau, M-A., Paquin, K., & Hofmann, S. G. (2013). Mindfulness-based therapy: A comprehensive meta-analysis. Clinical Psychology Review, 33(1), 763–771.
Koole S. L. (2009). The psychology of emotion regulation: An integrative review, Cognition and Emotion, 23(1), 4-41.

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Mafalda Moreira