Como o cérebro nos prega partidas a toda hora

Percebi o quão impactante negativamente estava a ser o julgamento na minha vida, quando comecei a estar atenta aos meus pensamentos.

O click, ocorreu quando um dia, no comboio que me levava de regresso a casa, olhei para um dos passageiros, na casa dos seus vinte e poucos anos. Este por sua vez, encontrava-se com os olhos entre abertos, um ar cansado e até direi eu um pouco instável espacialmente (seja lá o que isso signifique).

Quando o prognóstico está concluído, reparo que à frente deste rapaz encontra-se uma mulher exatamente com os mesmos sintomas e para juntar à festa, o homem ao seu lado também. Esta cena, parecia saída de um filme, mas que filme!

De repente algo inédito acontece, este acontecimento que vou descrever agora, mudou a minha visão sobre a mente humana e sobre a minha visão do mundo.

Eis que o casal se levanta, com os olhos entre abertos, mantendo a mesma postura e comportamento exposto anteriormente.

Eu, continuava ali, sem saber muito bem, o que se estava a passar. Os óculos de sol que usava, ajudavam a disfarçar o desconforto notável que estava a sentir.

E é então, que me deparo com o som de um bastão a abrir-se em direção ao chão. Ao mesmo tempo que isto acontecia, o seu som ecoava nos meus ouvidos. Fico perplexa, congelada naquele momento que me pareceu eterno. Basicamente na m****!

Para além, do estado de desconforto que fiquei durante algum tempo, e do turbilhão de emoções em que me encontrava, depois do julgamento que fiz, veio as “chicotadas” através de pensamentos tóxicos.

  • Como fui capaz fazer este tipo de rótulo?
  • Acontece-me cada coisa!

Depois da maré estar mais calma e analisar tudo o que se sucedeu, percebi aquilo que me tinha acontecido. O que era certo para mim e tão verdade, estava mascarada por uma referência interna. Referência esta, associada inconscientemente, aos sintomas físicos que viria estampado no rosto de uns colegas enquanto estes fumavam erva, uns anos antes.

Aquele rapaz, que agora sei que tinha défice visual, de acordo com a minha interpretação apresentava indícios semelhantes ao dos meus colegas (aqueles que fumavam erva). E como tal, segundo os meus filtros internos, fiz esta associação interna, sem que tivesse consciência.

Isto mais uma vez, foi uma ilusão criada pelo meu cérebro, que descartou informações relevantes, e até inventou coisas que na realidade não eram fidedignas.

Outra pessoa, que nunca teve acesso a este tipo de informação ou então, que nunca viu pessoas nesse estado alterado, provavelmente iriam ter uma percepção da suposta realidade totalmente diferente. Poderiam identificar um rapaz que se encontrava com sono, entre outros exemplos.

Mas mais importante do que saber o que os outros pensariam sobre o que aconteceu, é o facto de retirar uma aprendizagem de tudo o que se sucedeu.

Não posso alterar os pensamentos que já ocorreram, contudo, posso controlar o que vou fazer a seguir. E em vez de ser escrava das minhas “paredes mentais”, escolho ser dona da minha mente.

Esta situação que aconteceu comigo permitiu-me descobrir mais sobre mim e sobre o meu mecanismo enquanto humana. Na altura, fiz o melhor que sabia, com o que tinha. Acima de tudo, a ilação que retiro desta grande lição é que quando tomo consciência, paro de julgar e aproximo-me mais da verdade, estando mais receptiva para a vida.

Poderia ter referido que esta história aconteceu com outra pessoa qualquer, porém sou a única responsável pelos meus atos. E assumo, na primeira pessoa, que enquanto ser humano e em processo constante evolução, apesar de toda a situação, cresci e desenvolvi-me mais.

Como acredito que o conflito leva ao progresso, partilho algo que teve impacto na minha vida, de mim para ti.

E sempre que estiveres neste ram ram interno, de constantes julgamentos, lembra-te da minha história.

Como os teus pensamentos te tem ajudado?

Partilhe

Comments

  1. Todos sabemos que não devemos julgar, mas é humano e, por vezes, é mais forte do que nós. Acho que fomos ‘programados’ para isso. Feliz daquele que reconhece os seus erros e tenta mudar o ‘chip’.
    Bem hajas Mafalda

    1. Excelentes palavras Madalena! Quando reconhecemos os nossos “erros” torna-se mais fácil todo o processo de melhoria. Somos humanos, não somos máquinas, é normal sentirmos determinadas sensações e pensamentos. Obrigada pelo comentário.

Deixe o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Mafalda Moreira
Cart Item Removed. Undo
  • No products in the cart.