“Mas” – uma palavra tão pequena com um impacto tão grande

Existem palavras que só de ouvir falar, surgem como balas para a nossa identidade. Não importa a sua dimensão, a sua estatura, mas sim o impacto que tem em cada um de nós.

Instintivamente, ficamos de “pé atrás”, muitas das vezes, sem perceber muito bem o que causou aquele desconforto. Acima de tudo se é sentido, é porque é consentido.

O “mas” (aqui abordado) e a crítica são excelentes exemplos do referenciado anteriormente.

Apesar da crítica ser mais explicita no que se refere à sua conotação, o “mas” porém, assume duas posições. Na primeira, temos o “mas” usado de forma limitante. Como por exemplo: “Tu és boa pessoa, mas és muito arrogante”. Por outro lado, assume uma posição potenciadora como se verifica na frase “Tu neste caso estás a ser arrogante, mas és boa pessoa”.

O que é que o “mas” tem, que eu não tenho, para ser tão impactante?

Desconstruindo e analisando cada uma das frases, percebemos que “tu és” está relacionado com a identidade da pessoa, aquilo que vem de dentro, a nossa essência. Relativamente à frase, “Tu estás”, o feedback é apresentado ao nível do comportamento.

Quando damos um feedback ao nível da identidade, estamos a “abanar” com a casa toda, pondo em causa a própria identidade da pessoa. No fundo, é uma bala direta para o nosso coração.

Por isso é que é sugerido usar o segundo termo “Tu neste caso estás a ser arrogante, mas és boa pessoa”, aqui não é dado destaque há pessoa na sua totalidade, mas sim a um determinado comportamento particular.

Quando usamos o termo “mas”, primeiro é sugerido dizer a situação menos boa, (“Tu neste caso estás a ser arrogante”) e só depois o aspecto positivo (“és boa pessoa”).

Ao realizar esta comunicação estamos a dar destaque para o ponto positivo do indivíduo, uma vez que o primeiro aspecto é anulado pelo próprio “mas”, e como tal, o que prevalece é a última frase (“és boa pessoa”).

Para além de que, ao usar a expressão “neste caso”, estamos a especificar o momento em causa, em vez de generalizar, a título de exemplo “Tu és sempre arrogante”.

Na realidade, as pessoas variam o seu comportamento e postura, nos diversos contextos. Ao indicar que alguém atua sempre da mesma forma é incongruente e inadequado.

É importante salientar que esta linguagem ocorre frequentemente e sem aviso prévio. Cuidado, esta bala quando referenciada a nível da identidade deixam cicatrizes para a vida.

Qual o impacto que queres ter no outro?

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Mafalda Moreira
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