O efeito da cultura no luto

Os sujeitos apresentam um ponto de vista em relação à morte e consequentemente luto que é antagónica mediante as bases de vida dos sujeitos em questão. De acordo com Freitas-Magalhães “a cultura é um dos moderadores no desenvolvimento do comportamento emocional”.*

A cultura é tida como factor necessário, que determina tanto para algo benéfico como para algo prejudicial, o ritmo do desenvolvimento e evolução dos indivíduos.*

Os países exibem uma história distinta e naturalmente culturas diferenciadas. Tudo isto é fundamental ter em conta, uma vez que o impacto na forma como o luto é experienciado pelas sociedades varia mediante os habitantes dos vários locais.

Apesar dos contrastes culturais por todo o mundo, a perde de um ente querido reflete-se usualmente nas mesmas emoções. **

Como exemplo surgem, a seguir, duas posições díspares ainda que o suporte da crença seja idêntico.

Assim, em Portugal, o primeiro dia do mês de novembro é assinalado pela ida de muitos crentes aos cemitérios, com vista em homenagear os seus entes queridos e relembrá-los. Esta visita tem tendência para acontecer no dia anterior ao definido pela Igreja. Portanto, é cada vez mais frequente celebrar-se o Dia dos Fiéis (2 de novembro) no Dia de Todos os Santos (1 de novembro). Para a celebração é frequente que os fiéis coloquem velas e flores nas respetivas campas. Em conformidade com a celebração o sentimento que acompanha os familiares é o de uma grande tristeza.

Da mesma forma no México o dia 2 de novembro é assinalado como o Dia dos Mortos em honra a estes. Diferentemente de, por exemplo, Portugal, onde estes dias são encarados com profunda tristeza, no México, estes dias (que se estendem de 31 de outubro a 2 de novembro) são encarados com grande alegria, dado que acreditam que os antepassados voltam à terra, para estar com os seus amados. Dessa forma, são montadas oferendas nos túmulos destes, bem como altares em casa. As mesas são enfeitadas com elementos significativos como a água, que simboliza a vida e é oferecida para que os falecidos possam atenuar a sede depois de uma longa jornada e para que estejam fortalecidos para a sua viagem de volta; o sal que é visto como um elemento de purificação e ainda velas que guiam as almas dos elementos até casa e vice versa; ainda incenso que limpa o lugar de espíritos malignos e as flores que tem a função de alegrar o local.

É possível então verificar que apesar da base e o intuito do evento ser o mesmo, a homenagem aqueles que já morreram, a cultura faz com que esta seja vista e celebrada de forma completamente oposta. Portanto, é permitido concluir que, de forma predominante, as emoções vivenciadas em Portugal, no que diz respeito a este evento em específico, são de tristeza, ao passo que, no México, no geral, este dia é visto de forma positiva, manipulando as emoções vividas pelos demais.

Referências:
*Freitas-Magalhães, A. (2011). A psicologia das emoções: o fascínio do rosto humano. (3ª Edição). Porto: Edições Universidade Fernando Pessoa.
**Gleitman, H., Fridlund, A. J., & Reisberg D. (2011). Psicologia (9ª Edição). Fundação Calouste Gulbenkian.

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Mafalda Moreira
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